Psicóloga Maria Cristina Delattre
Viver com TDAH na vida adulta não precisa ser sinônimo de exaustão e culpa. Estruture uma rotina que funcione para o seu cérebro, com foco prático e sem cobranças irreais.
Entender o acompanhamentoO Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica inata. Na fase adulta, a típica "hiperatividade física" da infância frequentemente se transforma numa enorme inquietação mental, desatenção crônica e desregulação emocional.
Ao contrário do que dizem as críticas, não se trata de preguiça, falta de vontade ou irresponsabilidade. É uma forma literalmente diferente do seu cérebro gerenciar a atenção, a dopamina e a organização do dia a dia.
Perder objetos constantemente, esquecer prazos ou "desligar" no meio de conversas ou leituras longas.
Dificuldade imensa em iniciar tarefas entediantes, precisando da "pressão do último minuto" (ansiedade) para agir.
Mente que não para, sensação de pressa constante, interromper os outros ao falar e dificuldade para relaxar.
Mudanças de humor muito rápidas e baixa tolerância à frustração, gerando sentimentos de sobrecarga.
Muitos adultos sofrem a vida inteira acreditando que são incompetentes, quando na verdade possuem TDAH não diagnosticado. O TDAH tem uma fortíssima base hereditária (genética).
No cérebro com TDAH, os neurotransmissores responsáveis pelo foco, motivação prolongada e recompensa (como a dopamina) funcionam de forma atípica. Não é uma desculpa, é neurobiologia.
Quando os esquecimentos e a dificuldade de manter o foco geram prejuízos reais no trabalho, nos relacionamentos ou causam um esgotamento mental frequente (burnout), a terapia é essencial.
A medicação prescrita pelo psiquiatra ajuda a "ligar o motor" do foco, mas não ensina habilidades de organização ou de gestão do tempo. A terapia faz o papel de organizar as rotas e resgatar a sua autoestima.
Como especialista em TCC, o meu objetivo é fornecer psicoeducação de qualidade sobre a sua neurodiversidade e ajudá-lo a abandonar o doloroso ciclo de culpa que os adultos com TDAH carregam.
Desenvolveremos estratégias práticas, visuais e compensatórias (adaptadas para o cérebro TDAH) que tornarão o seu dia a dia mais funcional e menos desgastante, sem exigir padrões irreais de perfeição.
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