Psicóloga Maria Cristina Delattre
O sofrimento de não suportar certos sons diários tem tratamento. Aprenda a gerir as respostas extremas do seu corpo e recupere o seu convívio social e familiar.
Entender o tratamentoA Misofonia (Síndrome de Sensibilidade Seletiva a Sons) é uma condição clínica na qual sons banais do cotidiano disparam uma reação avassaladora de raiva, ódio, nojo ou pânico.
Os principais "gatilhos" costumam ser ruídos produzidos por outras pessoas, como mastigar, respirar alto, clicar a caneta, pigarrear ou assoar o nariz. Para quem tem misofonia, o som não é apenas "chato"; ele ativa o sistema de "luta ou fuga" do cérebro de forma dolorosa.
Sente uma raiva desproporcional instantânea ou desejo forte de agredir a fonte do som ou fugir imediatamente.
Atenção hiperfocada no ruído. Torna-se impossível ler, trabalhar ou prestar atenção a qualquer outra coisa no ambiente.
Deixar de comer à mesa com a família, evitar idas ao cinema ou partilhar espaços de trabalho pelo pavor aos ruídos.
Aceleração dos batimentos cardíacos, tensão muscular nos ombros e mandíbula e aumento súbito da pressão e sudorese ao ouvir o gatilho.
A Misofonia está ligada a uma alteração neurobiológica. Existe uma hiperconexão entre o córtex auditivo (que processa o som) e o sistema límbico (responsável por emoções e pela defesa do corpo).
Quando o som gatilho ocorre, essa "estrada neural" defeituosa interpreta o ruído inofensivo como uma ameaça iminente ou um ataque pessoal, desencadeando a fúria e o pânico automático. Não é "frescura" ou falta de tolerância, é uma resposta autônoma do cérebro.
As consequências da Misofonia não tratada recaem sobre a vida familiar. O distanciamento gera conflitos graves, pois as pessoas em redor ofendem-se achando que o paciente se recusa a estar perto delas.
O acompanhamento devolve-lhe a capacidade de frequentar espaços comuns sem estar constantemente preparado para "atacar ou fugir", resgatando a qualidade dos seus relacionamentos.
Não existe uma "cura milagrosa" rápida, mas o manejo através da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) traz resultados formidáveis para a qualidade de vida do paciente.
Na clínica, vamos trabalhar a regulação emocional e introduzir técnicas de relaxamento específicas para "frear" o sistema nervoso assim que o som for detetado. Aprenderemos estratégias cognitivas para desviar o hiperfoco e minimizar a reação de raiva automática.
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